Gente, hoje vim falar de uma história real, com personagens reais.
Ela queria muito ser mãe, tinha certeza de que aquela era a vocação da vida dela, se ela viesse a se formar, se realizar profissionalmente, seria secundário, pois ser mãe era o que lhe ocupava a mente.
Encontrou um amor, e confiou à ele o sonho da sua vida, ela disse uma vez:
- Me dá tua mão! Aqui, bem na palma da tua mão eu coloco o meu futuro, cuida bem dele.
Bom, o tempo passou, namoro, noivado, preparativos para o casamento e de repente, um susto, com tudo comprado, vestido alugado, casa semi-mobiliada, um atraso menstrual, e ela que geralmente corria contra o tempo quando tinha um atraso, já era até reconhecida na recepção do hospital pra pegar o pedido do exame de sangue, desta vez não correu, achou por bem esperar mais uns dias, afinal, ela havia parado com a pílula para trocar por uma com menos hormônios.
Passaram-se mais dois dias e além do atraso, sentiu dores nos seios, um sono que não era comum, o ponto crucial foi quando ela passou de um à três pães de queijo na faculdade, comentou com o noivo, que feliz como uma criança que ganha um doce, a levou no hospital.
Fez o exame, o qualitativo deu positivo, o quantitativo, indeterminado, a solução foi passar com uma médica e pedir um segundo exame, e pra quem não sabe, nos primeiros dias os hormônios dobram a cada dia, o primeiro resultado deu 147 mUI/ml, dias depois 2000 mUI/ml, ou seja, gravdíssima.
Ela se desesperou, afinal faltava menos de dois meses pro casamento, e daí veio a preocupação, o que os outros iam dizer? Pensar? Iam acusá-la de casar tão cedo por ter engravidado? Mas os convites já tinham sido entregues. E se não contasse nada, afinal o bebê ia nascer oito meses depois do casamento, talvez ninguém fizesse as contas.
Mesmo assim, ela decidiu falar pra mãe, achando que ouviria cobras e lagartos, mas que nada, ela deu parabéns e desejou cuidado e muito juízo.
Os sogros foram comunicados no mesmo dia, uma festa, todos felizes com a chegada de um neto.
O momento mais difícil foi contar ao pai, mesmo dormindo sempre na casa do noivo, ele não imaginava que ela tinha relações íntimas, coisa de pai. Ele chorou, disse que estava decepcionado.
Foi difícil, mas os dias se passaram, 12 dias, e nestes 12 dias ela aprendeu a amar aquela vida que gerava dentro de si, o noivo então não a deixava sequer pegar um copo d’água, era tudo na mão.
Até que, numa manhã, dia 19 de abril de 2001, um mês antes do casamento, ela se levantou e foi até o banheiro…
ATENÇÃO, SE VOCÊ É SENSÍVEL À RELATOS DESTE TIPO, PARE DE LER AGORA.
… e sentiu com se estivesse menstruando, só que era algo espesso demais, como uma gema de ovo, só que vermelha. Gritou, gritou muito alto, quando a mãe chegou ao banheiro, ela estava com as mãos ensanguentadas, chorando e pedindo pra ligar pro noivo.
Ele, que chegava em 15 minutos, levou apenas 6, ela, estava com um vestido longo, vermelho. Nem pensou em pegar um absorvente, uma toalha, foi tudo muito rápido.
Foi pro hospital de costume, os dois G.O. que estavam de plantão, estavam numa cesárea de emergência, decidiram ir pra uma maternidade próxima, tinha um plantonista, ela foi atendida, porém já estava sentindo muitas dores, dores insuportáveis.
Entrou no consultório e pediu pra que ele não a machucasse, ela de deitou na maca, e o médico puxou o biombo, o noivo, ficou na mesa, inquieto, enquanto ela dizia pra parar, que doía, com lágrimas nos olhos começou a gemer alto…e o médico parecia não ouvir os apelos. Foi quando o noivo derrubou o biombo e gritou para que o médico tirasse as mãos da mulher dele, a pegou nos braços, enrolou o vestido pelas pernas, que estavam sujas de sangue, lembrou que no prédio onde trabalhava, em frente à recepção tinha uma G.O., ligou pra empresa o segurança atendeu, ele pediu que o mesmo fosse até o consultório e perguntasse se a médica poderia atender emergencialmente uma mulher com princípio de aborto, com a resposta positiva, ele chegou com ela nos braços, ela chorava de dor e de vergonha, pois pela rua todos a olhavam com espanto, pelo estado ensanguentado.
A médica foi meiga, gentil, fez o exame e constatou que ainda haviam chances da gestação seguir em frente, a encaminhou para o hospital, onde ela fez ultrasson e viu o saco gestacional, deu um remédio pra “segurar” o bebê e pediu repouso absoluto, marcou um ultrasson pra uma semana depois.
Ela, inquieta, sabia que naquela manhã tinha perdido o bebê, mas tentava não deixar isso às claras, pois sabia da vontade de ser pai que o noivo tinha.
Uma semana depois, ela saiu do repouso e foi fazer o ultrasson, não havia mais nada, nem a necessidade de fazer curetagem, foi espontâneo.
As causas são desconhecidas, mas cerca de 70% das primeiras gestações são abortivas, há mulheres que nem percebem, acha que estão com atraso e depois tem um fluxo maior do que o normal.
A médica foi animadora, disse que depois de três meses poderíamos tentar, mas ela se culpava, jogou boliche dias antes e estava matando o sonho dela e do noivo. Entrou em depressão, casou alegre, mas não estava totalmente feliz.
Depois dos três meses, tentaram, tentaram, mas nada, foram 1 ano e meio tentando, simpatias, posições e nada. Ela decidiu então que não ia mais tentar, ia focar na promoção do trabalho, viajar e comprar um apartamento.
Lógico que ficava triste, mas sabia que logo o bebê viria. Ele, sempre triste não aceitava a perda do filho.
Ela, espírita, ouviu que o bebê viria na hora certa.
E aquela data ficou na cabeça, o dia do aborto, o dia mais triste até então.
O casamento acabou, um novo amor surgiu, e então foi assim que em 19 de abril de 2003 ela engravidou do novo amor…adivinha quem fez o parto? Aquela médica, que foi tão gentil e esperançosa com ela…
Mas tem um detalhe: Ela fez os dois partos…
Por algum tempo eu pensava que hoje poderia ter um filho de 8 anos, mas depois, num trabalho do grupo Espírita, me foi revelado que aquele bebê era o Gabriel, que voltou pra mim, quando encontrei o amor da minha vida, ele estava predestinado à mim, por isso me deu uma prova de que era ele, pois voltou dois anos depois, no mesmo dia em que tinha ido embora. Isso sem eu JAMAIS ter revelado à ninguém estas datas.
Até hoje quando alguém me pergunta, eu digo, ah quando eu perdi o Gabriel….e as pessoas acham estranho, pra mim é normal, sempre vai ser.
Abortar foi muito difícil, mas Deus me deu a recompensa, não acham?
Acho que a veia blogueira tá voltando com tudo!
Me desculpem o desabafo, esta história triste, mas achei que ela poderia servir pra mostar que sempre tem um final feliz, senão, como diz o ditado: “É porquê não chegou no fim”.
Beijos, beijos!


